ABEn celebra 100 anos em Brasília reunindo memória, incidência política, ciência e perspectivas para o futuro

Todas as fotos: Rafael Nascimento
Entre os dias 11 e 13 de agosto de 2026, a história da Enfermagem brasileira encontrou-se em Brasília para celebrar um século de existência da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn). Durante esses três dias, a sede nacional da ABEn foi palco de encontros que reuniram diferentes gerações de profissionais, estudantes, pesquisadoras e pesquisadores, dirigentes, representantes de instituições de ensino, entidades parceiras, e autoridades. A programação do Centenário foi construída como um percurso por três dimensões fundamentais da trajetória da Associação: memória, identidade e protagonismo; incidência política; e história, ciência e futuro.
Você pode conferir todas as fotos no Flickr da ABEn.
A celebração destacou conquistas e personagens que ajudaram a construir a Enfermagem brasileira, reafirmou compromissos históricos da trajetória da ABEn com a democracia, a soberania, o SUS, a educação, a ciência e os direitos da categoria e apresentou iniciativas que apontam para os desafios e possibilidades do próximo século.

11 de agosto: memória, identidade e protagonismo
As celebrações começaram na sede da ABEn Nacional, em Brasília, com a recepção das delegações e um almoço dialógico marcado pela diversidade. Os sabores regionais presentes à mesa simbolizaram a pluralidade cultural e territorial que também caracteriza a Associação, reunindo representantes de diferentes Seções Estaduais para um momento de encontro, reencontro e acolhimento.

Na sequência, o momento “Celebrando quem constrói a ABEn e criando memórias para o futuro” colocou no centro da celebração as pessoas que, ao longo de um século, construíram a Associação. As Seções Estaduais receberam homenagens como reconhecimento ao papel desempenhado nos territórios. Cada uma recebeu o Selo Comemorativo dos 100 anos da ABEn e um Troféu Comemorativo do Centenário. O momento também foi dedicado à Diretoria Nacional da Gestão 2025–2028, que conduz a Associação justamente no ano em que ela completa seu primeiro século.

Fotografias oficiais das delegações, da Diretoria Nacional e do grande grupo de participantes passaram a integrar o registro histórico do Centenário. Também foram gravados depoimentos e memórias de abenistas, reforçando a ideia de que a história da ABEn não está apenas em documentos e registros institucionais, mas nas pessoas que dedicaram trabalho, conhecimento, compromisso e afeto à construção da Associação.
Instituições reafirmam importância da ABEn para a Saúde na Solenidade de Abertura
À noite, a Solenidade de Abertura reuniu autoridades, representantes de entidades parceiras, escolas de Enfermagem, estudantes e profissionais. A cerimônia contou com a execução do Hino Nacional, interpretado pela enfermeira e abenista Íris Colonna, a abertura oficial pela presidenta da ABEn, Jacinta Sena, e a exibição do vídeo institucional produzido especialmente para o Centenário.

Você pode assistir à toda a solenidade, que foi transmitida ao vivo, no Canal de YouTube da ABEn.
A cerimônia teve como destaque a presença do Ministro de Estado da Saúde, Alexandre Padilha, que ressaltou a importância da Enfermagem para a consolidação e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Sua participação na abertura do Centenário também evidenciou o reconhecimento do Ministério da Saúde à trajetória histórica da ABEn e ao seu papel na estruturação da profissão, na formação profissional, na produção de conhecimento e na defesa de uma Enfermagem comprometida com as necessidades de saúde da sociedade.

Compuseram a Mesa de Honra, ao lado da Presidenta da ABEn Nacional, Jacinta de Fatima Sena da Silva, o ministro Alexandre Padilha; Cristian Morales Fuhrimann, representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil; Eutália Barbosa Rodrigues Naves, Secretária-Executiva do Ministério das Mulheres; Aristóteles Cardona Júnior, representando o Ministério da Educação; Fabiana Damásio, Diretora da Fiocruz Brasília, representando o presidente da Fiocruz, Mário Moreira; Úrsula Batista, representante do Fórum Nacional da Enfermagem; Helga Regina Bresciani, representando o Conselho Federal de Enfermagem; Dart Claire Carvalho das Virgens Cerqueira, representante do Comitê Nacional de Técnicas e Técnicos de Enfermagem; Julia Nascimento Sant’Anna, representante da Executiva Nacional dos Estudantes de Enfermagem (ENEEnf); e, ainda com a presença das deputadas federais Alice Portugal, e Erika Kokay.

A noite também foi marcada por homenagens às escolas de Enfermagem, reconhecidas como instituições fundamentais para a formação profissional, a produção do conhecimento e a construção de uma Enfermagem comprometida com as necessidades de saúde da sociedade. Foram homenageadas a Escola de Enfermagem Anna Nery, da Universidade Federal do Rio de Janeiro; a Escola de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense – Escola Aurora de Afonso Costa; a Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas; a Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo; a Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo; o Curso de Enfermagem da Universidade Federal do Paraná; e o Curso de Enfermagem da Universidade do Estado do Pará.

Os estudantes também foram homenageados, representados por Julia Nascimento Sant’Anna, da Executiva Nacional dos Estudantes de Enfermagem (ENEEnf). A homenagem reconheceu nas novas gerações aqueles que aprendem, pesquisam, questionam, participam e terão a responsabilidade de escrever os próximos capítulos da história da Enfermagem.
Assim, o primeiro dia sintetizou o sentido de memória, identidade e protagonismo: lembrar quem veio antes, reconhecer quem constrói a ABEn no presente e afirmar que a história continuará sendo escrita pelas novas gerações.

12 de agosto: incidência política e afirmação do compromisso social
O segundo dia levou o Centenário ao Senado Federal. Em uma Sessão Especial requerida pela senadora Teresa Leitão e presidida pelo senador Paulo Paim, os 100 anos da ABEn foram celebrados no plenário da Casa como parte da história da Enfermagem e da saúde brasileira. O momento foi transmitido pelo Canal do Senado no Youtube.

Fotos: Rafael Nascimento
O momento reuniu Presidentas de Honra da ABEn, representantes de gestões anteriores, presidentas e presidentes das Seções Estaduais, estudantes de Enfermagem, entidades e diferentes gerações de abenistas, evidenciando a dimensão nacional e histórica da Associação.

Foto: Geraldo Magela/Agencia Senado
Em sua fala, a presidenta da ABEn, Jacinta Sena, destacou a força e a importância da Enfermagem para a saúde e para o cuidar da população e reafirmou a necessidade de avançar na garantia de direitos para a categoria. Entre as prioridades apresentadas esteve a aprovação da PEC 19/2024, que vincula o pagamento do piso salarial da Enfermagem à jornada de 36 horas semanais e o reajuste anual, além de outras pautas fundamentais para a valorização profissional. A Sessão Especial representou, assim, um momento de reafirmação de seu papel na defesa da Enfermagem, do direito à saúde e de uma sociedade justa, democrática e soberana.

Fotos: Rafael Nascimento
Ciência, participação e os desafios do próximo século
Ainda no dia 12, o ABEn Talk Show “Protagonismo e Ciência: um século de contribuições da ABEn para a ciência e sociedade” promoveu um diálogo sobre a relação entre a história da Associação, a produção de conhecimento e os desafios futuros da Enfermagem. Você pode assistir tudo no Canal do Youtube da ABEn.
Mediado pela Diretora de Estudos e Pesquisa em Enfermagem da ABEn, professora Kênia Lara da Silva, o encontro reuniu as professoras Ivone Evangelista Cabral e Denise Pires de Pires, que percorreram diferentes momentos da trajetória da ABEn e discutiram o papel da entidade na consolidação da Enfermagem como profissão, ciência e força social no Brasil.

Denise apresentou um panorama da trajetória da Associação desde sua fundação, em 1926, até a década de 1980, enquanto Ivone deu continuidade ao percurso histórico, abordando a atuação da ABEn das décadas seguintes até a atualidade. O diálogo recuperou momentos importantes da história institucional e profissional e mostrou como a Associação esteve presente em processos de transformação da Enfermagem e da sociedade brasileira.
O Movimento Participação também esteve entre os temas discutidos. Denise destacou sua importância para a consolidação dos princípios defendidos pela ABEn, como a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, a defesa da democracia, dos direitos e da participação social.

Outro eixo central da conversa foi a contribuição da ABEn para a consolidação da pesquisa em Enfermagem no Brasil. Ivone destacou a trajetória da Associação na estruturação das bases científicas da área, enquanto o debate avançou para os desafios contemporâneos da produção do conhecimento, a defesa da ciência e o reconhecimento dos diferentes saberes.
As professoras também discutiram as perspectivas para o futuro e a importância de uma militância científica capaz de defender a ciência como instrumento de transformação social. Na provocação sobre o projeto de ABEn que se deseja construir para os próximos anos, Ivone defendeu a importância da formação política nos cursos de graduação, ressaltando a necessidade de formar profissionais conscientes de seu papel social.
O Talk Show encerrou o segundo dia reforçando uma das características que marcam a trajetória da ABEn: a capacidade de articular ciência, participação social, formação profissional e compromisso político.

13 de agosto: história, ciência e futuro
O último dia das celebrações foi dedicado ao tema “História, ciência e futuro” e trouxe para o centro da programação iniciativas que representam novas formas de preservar a memória, produzir e organizar conhecimentos e ampliar a visibilidade da Enfermagem brasileira.

Com mediação da presidenta da ABEn, Jacinta Sena, a atividade mostrou que olhar para a história significa criar instrumentos para compreender a trajetória da Enfermagem, produzir conhecimento sobre o presente e ampliar sua capacidade para responder aos desafios e perspectivas do futuro.
A atividade apresentou a Revista Brasileira de Enfermagem (ReBEn) e a História da Enfermagem: Revista Eletrônica (HERE), o meta-memorial Casa ABEn e o Observatório Brasileiro da Enfermagem (OBEnf), mostrando diferentes frentes pelas quais a Associação vem construindo ferramentas para seu segundo século.

Na apresentação da Revista Brasileira de Enfermagem (ReBEn), o editor-científico Antonio Almeida Filho apresentou um panorama do atual estado da revista, abordando o fluxo de publicação, a quantidade de artigos, indicadores e a estrutura da equipe editorial. Também foram discutidos desafios contemporâneos da publicação científica, como o uso da inteligência artificial, a necessidade de uma rede de pareceristas e o acompanhamento das mídias sociais. A comunicação científica apareceu como dimensão fundamental para ampliar o alcance da produção publicada pela revista.
A HERE – História da Enfermagem: Revista Eletrônica, apresentado por Deybson Borba Almeida, trouxe perspectiva semelhante, recuperando a trajetória da publicação criada em 2010 e discutindo sua contribuição para a produção e divulgação do conhecimento sobre a história da Enfermagem.
O meta-memorial A Casa ABEn foi apresentada por Maria Itayra Padilha, que realizou um panorama da iniciativa e de seu papel na preservação da história da Enfermagem por meio de novas tecnologias. Na sequência, Sônia Acioli apresentou a Trilha Protagonismo da Enfermagem na Covid, recuperando registros e experiências relacionadas ao protagonismo-ação da Enfermagem durante a pandemia. A proposta evidencia que preservar a memória também significa criar novas formas de acessá-la, interpretá-la e transmiti-la às próximas gerações.

O OBEnf foi apresentado por Maria Alice Pessanha de Carvalho e Osvaldo Bonetti, que abordaram sua trajetória de construção e seus objetivos. O Observatório busca reunir e organizar dados, práticas e conhecimentos da Enfermagem para ampliar a visibilidade da profissão, fortalecer o SUS e contribuir para a produção de informações estratégicas para políticas públicas.
Um século que continua

A celebração dos 100 anos mostrou, assim, que a história da ABEn é uma trajetória em movimento, construída por muitas mãos, muitas mentes e muitas vozes, que encontra no passado suas raízes-identitárias, no presente seus compromissos e no futuro novos desafios. ABEn 100 anos: em defesa da Enfermagem, da ciência, do direito à saúde e da justiça social. E com o foco voltado para a construção de estratégias que iluminem as ações e respostas aos desafios, lutas e conquistas nos próximos 100.
VIVAS A ABEn e a Valorização da Enfermagem!



