Projeto Implementar inicia ciclo de encontros presenciais para apoiar a transformação da formação em Enfermagem no Brasil

A homologação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais da Graduação em Enfermagem (DCNs/Enf), em 14 de maio de 2026, marcou uma conquista histórica para a Enfermagem brasileira. Depois de um processo iniciado pela ABEn, em 2012 e construído ao longo de mais de uma década de mobilização, diálogo e defesa de uma formação comprometida com as necessidades da população e com o Sistema Único de Saúde (SUS), as novas diretrizes finalmente passaram a integrar o marco normativo da formação em Enfermagem no país.
Agora, seguimos para uma nova etapa: fazer com que os princípios e avanços previstos nas DCNs/Enf se traduzam efetivamente nos projetos pedagógicos, nas práticas educativas, nos cenários de aprendizagem e na formação de profissionais preparados para responder aos desafios contemporâneos da saúde brasileira.
É nesse contexto que a Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), em parceria com o Ministério da Saúde (MS), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o Centro de Estudos, Pesquisa e Desenvolvimento Tenológico em Saúde Coletiva da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CEPESC/UERJ), desenvolve o Projeto Implementar: Diretrizes e Orientações para Formação em Enfermagem. Lançado pela ABEn e pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde (SGTES/MS) durante a abertura da 87ª Semana Brasileira de Enfermagem, em maio deste ano, o projeto representa um desdobramento concreto do compromisso histórico da ABEn com a qualidade da formação.
Projeto Implementar: da conquista normativa aos desafios da prática
O Projeto Implementar tem como objetivo apoiar instituições educacionais que ofertam cursos de graduação em Enfermagem e cursos técnicos em Enfermagem na implementação das novas DCNs/Enf e das diretrizes e orientações para a formação técnica em Enfermagem. O trabalho está estruturado em duas linhas de ação: a primeira voltada à implementação das DCNs/Enf nos cursos de graduação; e a segunda dedicada à implementação das diretrizes e orientações para a formação técnica em Enfermagem.

A coordenação geral do projeto é de Célia Alves Rozendo, com coordenação adjunta de Maria Auxiliadora Córdova Christófaro. Integram ainda a equipe técnica Adriana Katia Corrêa, Ana Lucia Jezuino da Costa, Janaína Paula C. Pereira Sobral e Laís de Miranda Crispim Costa.
A proposta parte de uma compreensão fundamental: implementar as diretrizes não significa simplesmente reorganizar disciplinas, cargas horárias ou matrizes curriculares. Trata-se de rever concepções, práticas e projetos de formação, considerando as diferentes realidades regionais e institucionais do país. Essa perspectiva também foi destacada pela ABEn em debate realizado durante o 20º SENADEn, quando especialistas ressaltaram que a implementação das novas DCNs exige revisão dos projetos pedagógicos, ampliação dos campos de prática e fortalecimento da integração entre ensino, serviço e comunidade.
Encontros para construir caminhos em todo o Brasil
Após um processo de encontros online, o projeto inicia nesta semana sua etapa presencial. Para reunir as propostas e reflexões sobre o processo de implementação nos cursos de graduação, a ABEn realizará sete encontros regionais em sua sede nacional, em Brasília (DF), até o final de outubro de 2026.
O primeiro encontro foi realizado entre os dias 24 e 25 de agosto, com representantes da Região Centro-Oeste, e nos dias 26 e 27 com representantes da Região Sul. Em 2027, o mesmo processo será realizado para a implementação das orientações para o nível técnico. Os encontros reunirão representantes de instituições de ensino das cinco regiões brasileiras, integrantes da equipe técnica do projeto e representantes dos Ministérios da Saúde e da Educação, dos Conselhos Estaduais de Saúde e de Educação, do Conselho Nacional de Saúde, do Conselho Federal de Enfermagem (COFEn), das Comissões de Integração Ensino-Serviço (CIES), do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais e Distrital de Educação (FONCEDE) e da Executiva Nacional de Estudantes de Enfermagem (ENEENF).

A dinâmica dos encontros inclui momentos de trabalho em grupo, compartilhamento de experiências e plenárias, favorecendo a escuta das diferentes realidades e a construção conjunta de propostas. A metodologia, baseada na participação, tem como objetivo a construção coletiva de recomendações e orientações para a implementação das DCNs/Enf a partir do diálogo com quem vive cotidianamente a formação em Enfermagem nos diferentes territórios brasileiros.
“A homologação das novas DCNs foi uma conquista construída por muitas mãos e por diferentes gerações. A implementação também será. Ao reunir escolas, docentes, estudantes, gestores, serviços de saúde e diferentes instituições em torno de um mesmo propósito, o Projeto Implementar reafirma que a formação em Enfermagem é uma responsabilidade coletiva e estratégica para o futuro do SUS e da sociedade brasileira”, afirma a presidenta da ABEn, Jacinta Sena.
Da construção coletiva a um documento orientador
Depois da realização de todos os encontros — sobre as diretrizes para a graduação e as orientações para a formação técnica — o grupo coordenador vai sistematizar as propostas e produzir documentos orientadores que serão publicados para apoiar as instituições de ensino superior na efetivação das DCNs e as instituições de educação profissional técnica de nível médio na efetivação das orientações para a formação técnica em enfermagem.
O processo busca, portanto, transformar a homologação das novas diretrizes em uma mudança concreta na formação, respeitando as especificidades dos diferentes territórios e fortalecendo a articulação entre instituições de ensino, serviços de saúde e sociedade.
“A construção das soluções passa pelo diálogo e pela participação dos diferentes atores, pela integração entre ensino, serviço e comunidade, pela formação crítica, ética e reflexiva, pela valorização das pessoas e do trabalho em saúde e pela produção de conhecimento e inovação. O objetivo é uma transformação capaz de fortalecer uma formação comprometida com o SUS e com a sociedade, o cuidado integral, ético e humanizado, a valorização do trabalho, a equidade, a justiça social e a construção de um futuro sustentável”, afirma Jacinta Sena.


