ABEn participa de debate nacional sobre os 100 anos de enfrentamento da tuberculose no Brasil

Foto Lívia Barreto
Abenistas de todo o Brasil participaram do evento “Da história à prática: Enfermagem e os 100 anos de enfrentamento da tuberculose no Brasil”, realizado pelo Ministério da Saúde no dia 23 de junho, na sede do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), em Brasília (DF). O encontro reuniu profissionais da Enfermagem para refletir sobre a trajetória histórica de combate à doença e discutir estratégias para fortalecer o cuidado, a vigilância e a eliminação da tuberculose.
A atividade ocorreu em um contexto que reforça a urgência do tema. O Brasil está entre os países com maior carga de tuberculose no mundo e registrou 84 mil novos casos da doença em 2024. Naquele ano, mais de 6 mil pessoas morreram em decorrência da enfermidade, que segue como a principal causa de morte por doença infecciosa no país. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 20% dos casos ainda não sejam diagnosticados.

A vice-presidenta da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), Sônia Alves, participou da mesa de abertura e destacou a contribuição histórica da entidade para o fortalecimento da saúde pública brasileira e para o enfrentamento dos principais desafios sanitários do país.
“Ao longo de seus 100 anos, a ABEn tem contribuído para a construção de políticas públicas, para a qualificação da formação profissional e para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde. No enfrentamento da tuberculose, a Enfermagem ocupa um lugar estratégico, seja na Atenção Primária, nos serviços especializados ou nos territórios onde a doença se manifesta com maior intensidade. Falar de tuberculose é falar de equidade, de justiça social, de saneamento básico e do compromisso permanente com o direito à saúde”, afirmou Sônia Alves.
Durante o evento, foi amplamente destacada a importância da Atenção Primária à Saúde como principal porta de entrada para o diagnóstico, acompanhamento e tratamento das pessoas acometidas pela doença. As discussões também enfatizaram o protagonismo da Enfermagem no cuidado às pessoas com tuberculose e a necessidade de fortalecimento da autonomia profissional para a solicitação de exames, realização de diagnósticos e prescrição de medicamentos conforme protocolos estabelecidos.

A abenista Marina Peduzzi, da ABEn São Paulo, participou da mesa “A enfermagem no enfrentamento da tuberculose: gestão, cuidado e práticas profissionais”, abordando a trajetória sócio histórica dos modelos de processo de trabalho da enfermagem na vigilância e cuidado em tuberculose.
Outro destaque da programação foi a participação da presidenta da ABEn Espírito Santo, Ethel Maciel, na mesa “Enfermagem e tuberculose: estratégias para o enfrentamento e eliminação da doença como problema de saúde pública”. Reconhecida internacionalmente por sua atuação na área, Ethel integra grupos estratégicos da Organização Mundial da Saúde (OMS) voltados ao enfrentamento da tuberculose e tem contribuído para a formulação de recomendações globais para o controle da doença.
Em sua apresentação, Ethel ressaltou que a tuberculose é uma doença socialmente determinada, diretamente relacionada às condições de vida da população, e que sua eliminação exige ações que vão além do campo biomédico.
“A tuberculose está profundamente associada às desigualdades sociais. Para eliminá-la como problema de saúde pública, precisamos garantir acesso oportuno ao diagnóstico, continuidade do tratamento, proteção social e equipes de saúde fortalecidas nos territórios. A Enfermagem desempenha papel fundamental nesse processo, construindo vínculos, promovendo educação em saúde e assegurando que as pessoas permaneçam em cuidado durante todo o tratamento”, destacou.

Ao longo dos debates, especialistas reforçaram que pobreza, insegurança alimentar, moradia inadequada, preconceito e dificuldades de acesso aos serviços de saúde continuam sendo obstáculos importantes para o controle da doença. Nesse cenário, a construção de políticas públicas baseadas na equidade e o fortalecimento das redes de atenção à saúde foram apontados como elementos essenciais para ampliar o acesso ao diagnóstico e garantir a adesão ao tratamento.
A participação da ABEn no evento reafirma o compromisso histórico da entidade com a defesa do Sistema Único de Saúde, da ciência e da formação qualificada da Enfermagem brasileira. Em seu ano centenário, a Associação segue contribuindo para o debate e a construção de estratégias voltadas à redução das desigualdades em saúde e à garantia do direito à vida e ao cuidado para toda a população.


