Abertura do 20º SENADEn e 17º SINADEn reafirma compromisso da ABEn com a educação, a ciência e o fortalecimento da Enfermagem brasileira

Em uma cerimônia marcada pela defesa da educação, da ciência, da democracia, da soberania e do Sistema Único de Saúde (SUS), a Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) realizou, na noite desta terça-feira (28), a abertura oficial do 20º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem (SENADEn) e do 17º Simpósio Nacional em Teorias, Terminologias e Processo de Enfermagem (SINADEn).
Reunindo representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Educação/CAPES, de universidades, entidades representativas da Enfermagem, movimentos estudantis e gestores públicos, a solenidade marcou o início de quatro dias dedicados à construção coletiva de propostas para fortalecer a formação, a pesquisa e a prática profissional em Enfermagem.
Realizados pela ABEn Nacional em parceria com a ABEn Seção Paraíba, os eventos têm como tema “Formação, Prática e Inovação em Enfermagem para o Cuidado Seguro, Sustentável e Transformador”, reafirmando o compromisso histórico da entidade com a formulação de políticas para a educação em Enfermagem, a valorização da profissão e o fortalecimento do SUS.

A cerimônia de abertura foi iniciada com a beleza da música da “Banda de Música 5 de agosto, “patrimônio cultural de João Pessoa e de toda a Paraíba, ainda se destaca por trabalhar com compositores e intérpretes do Nordeste, divulgando os artistas da terra”. A diversidade e a inclusão foi celebrada pela apresentação da Companhia de Dança Helena Holanda, um projeto de arte, inclusão e terapia de João Pessoa, formado por pessoas com deficiência e idosos, e reconhecido por lei como Patrimônio Cultural do Estado. No final da solenidade, o cantor paraibano Fubá animou o auditório com uma quadrilha cheia da energia e das cores nordestinas.

A solenidade reuniu lideranças e representantes de entidades da categoria, gestores públicos e autoridades dos poderes Legislativo e Executivo, assim como do controle social nacional e municipal, que, em seus pronunciamentos, convergiram em torno de uma mesma defesa: a necessidade de investir na formação crítica, científica e socialmente comprometida dos profissionais de Enfermagem para responder aos desafios contemporâneos da saúde brasileira.

Formação comprometida com a transformação da realidade
Ao dar as boas-vindas aos participantes, a presidenta da ABEn Seção Paraíba e coordenadora da Comissão Científica dos eventos, Lenilma Bento de Araújo Menezes, destacou que o SENADEn e o SINADEn compartilham um mesmo propósito: fortalecer a relação entre educação, pesquisa e prática profissional.
Segundo ela, não há cuidado de qualidade sem produção de conhecimento, assim como não há pesquisa transformadora quando ela permanece distante da formação e da realidade dos serviços de saúde. Nesse sentido, ressaltou que o tema desta edição representa um compromisso concreto de integrar formação, prática e inovação como dimensões inseparáveis da Enfermagem contemporânea.
Lenilma também situou a realização do evento no ano do centenário da ABEn, lembrando que a história da entidade se confunde com a própria história da organização política da Enfermagem brasileira. Destacou as recentes conquistas da categoria, como a homologação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais da graduação em Enfermagem, e reafirmou que ainda permanecem desafios importantes, entre eles a valorização profissional, a implementação das diretrizes em todo o país e a consolidação de condições dignas de trabalho para a categoria.
Ao encerrar sua fala, defendeu que as discussões produzidas durante o evento se materializem na Carta de João Pessoa 2026, documento que deverá reunir as contribuições coletivas construídas ao longo da programação científica e orientar os próximos passos da Enfermagem brasileira.

Educação baseada na ciência e compromisso com o SUS
Representando o Ministério da Saúde, o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, reafirmou que as políticas públicas devem ter como objetivo central a redução das desigualdades e a melhoria concreta da vida das pessoas.
Em sua intervenção, destacou que os processos de formação precisam estar comprometidos com a qualificação da prática em saúde, valorizando metodologias que coloquem os estudantes no centro da aprendizagem, fortaleçam a educação interprofissional e mantenham como referência permanente os princípios do Sistema Único de Saúde.
Felipe Proenço classificou o SENADEn e o SINADEn como eventos estratégicos para o Ministério da Saúde e reafirmou o compromisso da pasta em apoiar o desenvolvimento da educação em Enfermagem, ampliar investimentos na formação técnica, nas residências e em iniciativas voltadas à valorização da categoria.

Também a presidenta do Conselho Nacional de Saúde, Fernanda Lou Sans Magano, ressaltou a histórica contribuição da ABEn para o fortalecimento do controle social e lembrou que diversos quadros da entidade desempenharam papéis fundamentais na construção das políticas públicas de saúde no âmbito do Conselho Nacional de Saúde.
Fernanda destacou que os eventos constituem um espaço privilegiado para o diálogo entre ensino, pesquisa, gestão e participação social. Defendeu a manutenção da vigilância em torno das conquistas obtidas pela Enfermagem, especialmente na consolidação da formação presencial, e reforçou que a valorização da categoria também passa pela defesa da saúde mental dos trabalhadores, por jornadas justas, salários dignos e melhores condições de trabalho. Ao final, reafirmou a importância do fortalecimento do SUS e da participação social como instrumentos essenciais para a construção de um sistema público de saúde cada vez mais democrático.
Ciência, pós-graduação e protagonismo estudantil
Representando a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Júlio Pífero destacou o compromisso da instituição com a formação de recursos humanos altamente qualificados para o país. Ressaltou o apoio aos programas profissionais de mestrado e doutorado em Enfermagem e sinalizou o interesse da CAPES em ampliar o fortalecimento dos programas acadêmicos, reforçando a parceria com a área.
Também pela CAPES, a coordenadora da Área de Enfermagem, Ana Karina Bezerra Pinheiro, celebrou o centenário da ABEn e os 75 anos da agência de fomento, destacando o crescimento expressivo da pós-graduação em Enfermagem no último quadriênio. Segundo ela, além da expansão quantitativa dos programas, houve avanços importantes na qualidade da formação, com o fortalecimento da produção científica e da atuação de mestres e doutores na qualificação da gestão, dos serviços de saúde e das políticas públicas. Embora ainda persistam desafios relacionados à redução das assimetrias regionais e à interiorização da pós-graduação, Ana Karina reconheceu a ABEn como um “farol” para a Enfermagem brasileira e desejou que o evento fortaleça vínculos e produza reflexões capazes de impulsionar novos avanços.

Representando a Executiva Nacional dos Estudantes de Enfermagem (ENEEnf), Cibelly Sofia Alves dos Santos agradeceu à ABEn pelo reconhecimento da participação estudantil na construção dos debates nacionais. Destacou que os estudantes desejam aprender e construir coletivamente uma Enfermagem comprometida com a ciência, com o SUS e com as necessidades da população brasileira.
Edson Gomes, representante do Comitê dos Técnicos de Enfermagem da ABEn, ressaltou a importância da inclusão dos técnicos de Enfermagem nos espaços de formulação política da entidade, lembrando que esses profissionais representam mais de dois terços da força de trabalho da categoria. Também chamou atenção para a necessidade de ampliar o debate sobre equidade racial e representatividade nos espaços de decisão.
Educação, democracia e valorização da Enfermagem como projeto de futuro
Em um dos pronunciamentos mais aguardados da noite, a presidenta nacional da ABEn, Jacinta de Fátima Sena da Silva, apresentou uma ampla reflexão sobre o papel estratégico da educação para o futuro da Enfermagem brasileira e reafirmou o compromisso histórico da entidade com a defesa da ciência, da democracia e do direito universal à saúde.
Ao recordar a trajetória do SENADEn e do SINADEn, Jacinta destacou que ambos os eventos nasceram da necessidade de construir políticas públicas para a educação em Enfermagem e consolidaram-se, ao longo de mais de três décadas, como espaços permanentes de formulação, intercâmbio científico e construção coletiva de estratégias para qualificar a formação e o cuidado. Para ela, o tema desta edição dialoga diretamente com os desafios contemporâneos da profissão e reafirma a responsabilidade da ABEn na condução dos debates sobre educação, inovação e qualidade da prática profissional.

A presidenta ressaltou que a educação ocupa um papel estratégico na produção científica, na consolidação da democracia, na defesa do cuidado integral, na valorização da diversidade dos territórios e na construção da soberania tecnológica do país. Segundo ela, discutir formação em Enfermagem significa também enfrentar questões relacionadas às mudanças climáticas, às desigualdades sociais, às violências, ao envelhecimento populacional e aos impactos da crescente privatização dos setores da saúde e da educação. Para responder a esse cenário, afirmou, é necessário transformar sonhos em projetos concretos capazes de produzir uma sociedade mais justa, solidária e comprometida com a vida.
Jacinta também apresentou a agenda estratégica que orienta a atuação da ABEn para os próximos anos. Entre as prioridades estão a mobilização da juventude da Enfermagem para a participação política; a implementação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais da graduação e das orientações para o ensino técnico; a aprovação da PEC 19/2024; o aperfeiçoamento da regulação do escopo da prática profissional; a valorização das condições de trabalho e da carreira da Enfermagem; e o fortalecimento das articulações com movimentos sociais, entidades representativas e organizações comprometidas com a defesa do SUS.
Ao situar essas pautas no contexto do centenário da ABEn, a presidenta enfatizou que a entidade chega aos seus 100 anos reafirmando sua missão de preservar a memória da profissão e defender a ciência, a educação, a democracia e o direito à saúde como bens públicos. Também convocou a categoria a participar conscientemente das eleições de 2026, reforçando a importância de escolhas comprometidas com projetos de sociedade que valorizem a vida, os direitos sociais, a soberania nacional e o fortalecimento das políticas públicas de saúde e educação.
Encerrando sua mensagem, Jacinta afirmou que os debates desenvolvidos ao longo do SENADEn e do SINADEn deverão resultar na Carta de João Pessoa 2026, documento que reunirá as contribuições construídas coletivamente durante os quatro dias de programação científica. Inspirando-se em Paulo Freire, lembrou que a educação transforma pessoas, e são as pessoas que transformam o mundo, convidando todos os participantes a fazerem deste encontro um marco para o fortalecimento da Enfermagem brasileira no início do segundo século de história da ABEn.
Quatro dias para construir os próximos caminhos da Enfermagem
Após a declaração oficial de abertura, o 20º SENADEn e o 17º SINADEn deram início à programação científica, que reúne conferências, mesas-redondas, cursos, oficinas, painéis, encontros de redes de pesquisa e apresentações de trabalhos de todas as regiões do país. Além de ser um espaço de atualização científica, os eventos também reafirmam a vocação histórica da Associação Brasileira de Enfermagem como articuladora de políticas, ideias e estratégias voltadas ao fortalecimento da formação, da pesquisa, da inovação, da participação e da prática profissional. No ano em que celebra seu centenário, a ABEn convida a Enfermagem brasileira a construir, de forma coletiva, os caminhos que orientarão o cuidado, a educação e a ciência nos próximos cem anos.



