Observatório Brasileiro de Enfermagem é lançado no 75º CBEn como espaço vivo de conhecimento, articulação e fortalecimento da profissão

  • 25 de novembro de 2025
  • Livia

A manhã desta terça-feira, 25 de novembro, marcou um momento histórico para a Enfermagem brasileira com o lançamento oficial do Observatório Brasileiro de Enfermagem (OBEnf) durante o 75º Congresso Brasileiro de Enfermagem (CBEn). Trata-se de uma iniciativa estratégica da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), construída em parceria com a Fiocruz, que nasce como um espaço vivo, colaborativo e inovador de produção, sistematização e disseminação de conhecimentos essenciais para fortalecer as políticas públicas e o cuidado em Enfermagem no Brasil.

Mais do que uma plataforma digital, o OBEnf se firma como um instrumento político, científico e social, projetado para reunir, analisar e disponibilizar informações sobre o trabalho, a formação, a produção científica e as tecnologias desenvolvidas pela Enfermagem brasileira. A nova ferramenta integra dados até então dispersos, amplia a visibilidade da profissão e oferece subsídios qualificados para orientar decisões na gestão em saúde, na pesquisa e na prática assistencial.

“A proposta é transformar o OBEnf em um espaço de referência nacional, capaz de subsidiar pesquisas, orientar a formulação de políticas públicas e fortalecer a visibilidade da Enfermagem, categoria que representa cerca de 70% da força de trabalho em saúde e reúne mais de 3 milhões de profissionais em todo o país”, explica a presidenta da ABEn, Jacinta Sena.

Plataforma já disponível e em constante aperfeiçoamento

A plataforma digital inicial do OBEnf já pode ser acessada pelo público, por meio deste link: https://obenf.abennacional.org.br/

A ferramenta reúne conteúdos sobre práticas profissionais, formação, processos de trabalho, produção científica e outros temas estruturantes da Enfermagem. Novos módulos, painéis de dados, documentos analíticos e materiais educativos serão incorporados progressivamente, ampliando a robustez e a interatividade do portal.

Uma construção coletiva, em rede e com propósito

A mesa de abertura foi iniciada pela contribuição da presidenta da ABEn, Jacinta Sena, pela  diretora do Departamento de Gestão e Regulação do Trabalho (DEGERTS/SGTES/MS), Evellin Bezerra, que representou o secretário, Felipe Proenço, pelo coordenador geral do projeto do Obenf, Osvaldo Bonetti, que é coordenador do Núcleo Angicos da Fiocruz Brasília e pela Profa Dra Ethel Maciel, que era secretária de XXX quando o projeto foi idealizado, e apoiou a parceria com o Ministério da Saúde (MS).

A representante do MS, Evellin Bezerra destacou a relevância do Observatório para o Ministério da Saúde. Segundo ela, o MS tem buscado produzir sua própria inteligência a partir de bases de dados integradas, e o OBEnf se alinha perfeitamente a essa estratégia ao ser concebido como “um espaço vivo de produção de informações em tempo real”. Ressaltou ainda a abertura do Ministério para parcerias e para o compartilhamento de bases de dados, reconhecendo o potencial da iniciativa para aprimorar políticas públicas e promover equidade.

O coordenador geral do Obenf, Osvaldo Bonetti, celebrou o momento afirmando que o lançamento integra um ciclo virtuoso da ABEn, que às vésperas do centenário da entidade, retoma sua vocação histórica de fortalecer a categoria e construir “inéditos viáveis”. Lembrou que o OBEnf se articula diretamente com o Memorial Casa ABEn e com o Termo de Cooperação entre a ABEn e a Fiocruz, reafirmando a potência dessa parceria institucional.

O coordenador também enfatizou a construção participativa do Observatório, marcada por oficinas, reuniões semanais e pela formação de subcomissões temáticas que garantiram aprofundamento conceitual, metodológico e tecnológico. A proposta de um espaço colaborativo, alimentado continuamente e comprometido com a transformação de dados em conhecimento crítico, foi destacada como um dos principais diferenciais do projeto.

Talk Show: reflexões sobre o papel dos observatórios na saúde e na Enfermagem

Na sequência, o Talk Show “Observatórios na Saúde e na Enfermagem: papel e importância do OBEnf” reuniu pesquisadoras e gestores para discutir os desafios e potencialidades dessa ferramenta estratégica. A atividade foi moderada pela Profa. Dra. Ivone Evangelista Cabral (UERJ/UFRJ) e contou com a participação da Coordenadora Adjunta do OBenf, Profa. Dra da Fiocruz, Maria Alice Pessanha de Carvalho, da diretora de Educação da ABEn Nacional, Célia Rozendo da Silva, do diretor de Gestão da Educação na Saúde (DEGES/SGTES/MS), Fabiano Ribeiro, da articuladora da região Sul do projeto, profa. Dra. Denise Elvira Pires de Pires (UFSC) e do coordenador, Osvaldo Bonetti.

As falas enfatizaram que nenhuma política de formação, distribuição da força de trabalho ou valorização profissional pode prosperar sem dados qualificados, atualizados e produzidos pela própria Enfermagem. A necessidade de compreender quantitativos, distribuição geográfica, jornadas, condições de trabalho e remuneração foi apontada como central para orientar decisões responsáveis e alinhadas às necessidades sociais.

Fabiano Ribeiro destacou que pensar a formação em saúde exige compreender a organização das categorias profissionais, especialmente da Enfermagem — a maior força de trabalho do SUS. Também ressaltou a importância de considerar os impactos estruturais de gênero, raça e classe na valorização da profissão, reforçando o compromisso do MS com pautas afirmativas e com a integração ensino–serviço.

Maria Alice Carvalho explicou o processo de concepção do OBEnf, desde o levantamento comparativo com observatórios nacionais e internacionais até as quatro oficinas estruturantes realizadas ao longo de 2024. Reforçou que o Observatório é “uma ferramenta nossa”, construída com rigor técnico e metodológico, e destacou o orgulho pelo produto final.

A Profa. Denise Pires situou o OBEnf como parte da responsabilidade histórica da Enfermagem em definir suas próprias necessidades, requisitos formativos e parâmetros profissionais. Segundo ela, quando essas definições são impostas de fora, os resultados costumam ser problemáticos — por isso a defesa de uma produção autônoma e crítica de conhecimento.

A Profa. Célia Rozendo reforçou a perenidade do Observatório, sua natureza estratégica e a ampliação contínua do coletivo envolvido. No momento de abertura de falas para o público, Profa Dra Maria Rocineide Ferreira trouxe a necessidade de garantir capilaridade e acessibilidade das informações, inclusive por meio de vídeos curtos para unidades básicas de saúde, por exemplo, e conteúdos que dialoguem com os profissionais e com a população. Também durante as contribuições da audiência, a Profa. Dra. Sonia Acioli destacou a importância do OBEnf no enfrentamento às fake news, na defesa da democracia e na qualificação das práticas formativas e assistenciais da Enfermagem.

Um marco para o centenário da ABEn e para o SUS

O lançamento do OBEnf simboliza a força das parcerias institucionais e a capacidade da ABEn de mobilizar redes, produzir ciência e construir respostas inovadoras para os desafios contemporâneos. A iniciativa integra as comemorações do centenário da entidade e reforça seu compromisso histórico com a defesa da profissão, a educação permanente, a qualidade do cuidado e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde.

O Observatório se soma agora ao conjunto de iniciativas que consolidam a liderança da ABEn na produção de conhecimento em Enfermagem, constituindo um marco institucional, científico e político que certamente moldará os próximos anos da profissão no Brasil.