Um dia histórico para a Enfermagem brasileira: foi lançada a Casa ABEn!

  • 25 de novembro de 2025
  • Livia

 

Neste 24 de novembro, durante o 75º Congresso Brasileiro de Enfermagem, a ABEn apresentou ao país o maior projeto de preservação e difusão da memória da Enfermagem já criado pela entidade: a Casa ABEn — um metamemorial vivo, construído em coletividade, que celebra quase um século de lutas, conquistas, identidade e pertencimento.

É a nossa história ganhando luz, espaço e futuro.
É a Enfermagem afirmando sua força política, científica e social.
É a ABEn mostrando, mais uma vez, que é guardiã da memória e protagonista da transformação.

O lançamento reuniu presidentas de honra da entidade e homenageou todas e todos que contribuíram para o projeto, que, ao longo de dois anos, acumulou informações que resultam em mais de dez horas de conteúdo no metaverso — uma iniciativa inovadora que articula história, legado, tecnologia, formação e emoção.

Hoje, a Casa ABEn se abre para o mundo. E nós seguimos juntas e juntos, honrando o passado e iluminando os caminhos do amanhã.

Um espaço físico para celebrar o virtual: experiência imersiva no 75º CBEn

A Casa ABEn está sendo um dos grandes destaques da programação do congresso. Um espaço físico especialmente montado reproduz a sede histórica da Associação em Brasília, permitindo que o público vivenciasse presencialmente as experiências que estaão disponíveis no ambiente virtual.

Ali, congressistas exploram trilhas de conhecimento, documentos digitalizados, vídeos, arquivos inéditos, mapas históricos, biografias e produções audiovisuais. Acessaram o metaverso tanto por óculos de realidade virtual quanto por computadores, em uma versão igual àquela que em breve estará aberta para todo o país.

Segundo a presidenta Jacinta Senna, a criação de um espaço físico dentro do congresso tinha um propósito claro: “Queríamos que as pessoas sentissem que esta Casa é realmente delas. A Casa ABEn é um lugar de acolhimento da nossa história, da nossa identidade e da nossa força coletiva. Esse espaço presencial simboliza que memória não é algo distante — ela nos habita, nos move e nos projeta para o futuro.”

Cerimônia de lançamento: autoridades, emoção e memória viva

Às 16h15, teve início a Cerimônia de Lançamento da Casa ABEn – historicidade e conhecimento. A mesa de honra foi composta por:

  • Jacinta de Fátima Sena da Silva, presidenta da Associação Brasileira de Enfermagem 
  • Osvaldo Peralta Bonetti, coordenador do Núcleo de Educação Popular, Cuidado e Participação na Saúde da Fiocruz Brasília (Núcleo Angicos) e coordenador do Projeto Casa ABEn 
  • Ângela Fernandes Leal da Silva, diretora do Departamento de Promoção da Saúde do Ministério da Saúde (DEPROS/SAPS/MS) 
  • Professora Elenice Padoin, representando a reitora da Unesc 
  • Professora Sonia Acioli, pesquisadora do Projeto Casa ABEn, presidente de honra da ABEn, professora titular da UERJ 
  • Professora Maria Itayra Padilha, pesquisadora do Projeto Casa ABEn e docente da UFSC

Após a exibição do vídeo demonstrativo do metamemorial, a Presidenta de Honra da ABEn, Francisca Valda da Silva, fez um depoimento marcante, lembrando décadas de militância e reafirmando o papel da ABEn como defensora da Enfermagem e da democracia no Brasil.

A presidenta da ABEn, Jacinta Senna, fez uma fala especialmente construída para este momento histórico. Um discurso firme, sensível e político, que reafirmou a missão centenária da entidade:

“A Casa ABEn nasce de uma convicção: nenhum projeto de futuro pode ser construído sem memória. A Enfermagem brasileira tem uma história profundamente ligada à construção do SUS, à democracia, à educação em saúde, à defesa da vida e à luta por direitos. Este metamemorial é um ato político — porque reivindica o nosso lugar na história; é um ato pedagógico — porque forma consciência crítica e identidade profissional; e é também um ato afetivo — porque reconhece cada pessoa que, com coragem e trabalho, ajudou a construir esta profissão. Que cada estudante, docente, pesquisador e trabalhador da Enfermagem encontre nesta Casa um espelho, um abrigo e uma inspiração.”

O coordenador do Projeto Casa ABEn, Osvaldo Peralta Bonetti, destacou que o metamemorial é fruto da essência histórica e política da própria ABEn: “A memória e o registro histórico sempre foram estruturantes para a Enfermagem. A ABEn, que nasce junto com a profissão no Brasil, sempre nos ensinou que construir futuro exige compreender de onde viemos. A Casa ABEn tem ineditismo, metodologia própria, uso de tecnologias imersivas e uma construção coletiva que honra nossas precursoras. Somos uma categoria marcada por disputas históricas dentro do modelo biomédico, e resgatar nossa trajetória é reafirmar nosso papel político no país, nossa identidade e nosso compromisso com a democracia.”

Ele celebrou ainda o protagonismo da educação popular, dos observatórios, da pesquisa em saúde e das lutas históricas da profissão — temas que atravessam as trilhas do metamemorial.

Pesquisadora, historiadora e referência nacional, Maria Itayra Padilha emocionou o público ao relatar o desafio de organizar conteúdos que sintetizam quase cem anos de história da ABEn: “Achei que seria simples, porque sempre trabalhamos a história da ABEn. Mas foi um trabalho imenso. Cada trilha exigiu semanas de pesquisa, idas e vindas, leituras, cruzamento de documentos, entrevistas, buscas em arquivos, jornais e biografias — especialmente das presidentas que já não estão entre nós. Não podemos errar. É possível ser incompleto, mas não incorreto. O metamemorial é um projeto de responsabilidade histórica. Continuaremos revisando, ampliando e atualizando o material, como se faz com qualquer obra viva.” Itayra destacou o trabalho coletivo das historiadoras e a generosidade de todas as pessoas envolvidas no projeto.

Fabiane Ferraz, docente da Unesc e pesquisadora do projeto, explicou a complexidade da criação do metaverso: “Não existe nada igual no Brasil. O Louvre, por exemplo, tem registros em 360°, mas não é um metaverso. Aqui, tudo é código, cada tijolinho virtual é construído por uma linguagem de programação. Tive que aprender junto com a equipe de desenvolvedores. Foram dois anos e meio para finalizar duas trilhas — porque tudo precisou ser feito, refeito, testado e reconstruído. Hoje, qualquer pessoa poderá acessar a Casa ABEn pelo computador ou pelos óculos virtuais. É um projeto disruptivo, pedagógico e profundamente humano.”

Talk Show: perspectivas de futuro da Casa ABEn

O talk show “Casa ABEn – construindo perspectivas de futuro a partir do histórico de lutas da Enfermagem brasileira” reuniu pesquisadoras e pesquisadores diretamente envolvidos na concepção do metamemorial e aprofundou temas como inovação tecnológica, rigor histórico, participação social e identidade profissional. Em uma conversa marcada por emoção e reflexão crítica, o grupo destacou que a Casa ABEn já nasce como um instrumento formativo e político, capaz de dialogar com estudantes, docentes, profissionais, lideranças e instituições. O debate reforçou a potência educativa da plataforma, sua relevância para a valorização da categoria e a capacidade de projetar a memória da Enfermagem brasileira para além das fronteiras do país.

A cerimônia foi também um momento de reconhecimento público. Placas de homenagem foram entregues às presidentas de honra da ABEn e à equipe responsável pela construção do metamemorial — pesquisadoras, desenvolvedores, historiadoras e colaboradoras que dedicaram dois anos de trabalho intenso ao projeto. Em cada gesto de agradecimento, reafirmou-se que a Casa ABEn é, acima de tudo, uma obra coletiva, permeada por afeto, rigor e compromisso com a Enfermagem como prática social e como projeto democrático.

As perspectivas futuras apresentadas no talk show mostram que a Casa ABEn está apenas começando. Entre os próximos passos estão a criação de novas trilhas voltadas ao protagonismo dos movimentos estudantis, às lutas sociais e ao recorte de gênero — dimensões históricas fundamentais para compreender a constituição da Enfermagem brasileira. Também está prevista a ampliação do alcance internacional do metamemorial, que, por estar disponível na internet, poderá ser acessado por profissionais, pesquisadores e escolas de saúde de diferentes países. A ABEn planeja ainda apresentar o Memorial Casa ABEn ao Museu Florence Nightingale, em Londres, abrindo portas para diálogos internacionais sobre memória, cuidado, educação e história da Enfermagem.

Ao final do encontro, uma segunda fala de Osvaldo Bonetti sintetizou o espírito que move o projeto: “Quando entramos na Casa ABEn, vemos mais que um acervo: vemos um filme vivo da nossa trajetória coletiva. Cada trilha é um ato de pertencimento. Somos uma categoria que nasce em meio às disputas políticas do modelo biomédico, uma profissão que abriu portas para as mulheres no Brasil, que iluminou a Reforma Sanitária e que segue defendendo democracia, equidade e cuidado em liberdade. A Casa ABEn reafirma esse legado — freireanamente, de forma suave, convidativa e profundamente transformadora. Ela nos lembra que precisamos continuar produzindo, estudando, nos reconhecendo e nos arrepiando com a nossa própria história. Porque a Enfermagem sempre teve luz, e agora essa luz se projeta para o futuro.”